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Archive for the ‘tecnologia’ Category

[maemo oder mais do mesmo]

Sex, 28 Ago 2009, 239 Andre Deixe um comentário

Meu sonho de consumo ainda é o Open Moko, mas é impossível que um freetard como eu não se maravilhe com a chegada do Nokia N900 com o sistema Maemo.

O Maemo é um sistema operacional para “computadores de bolso“, esses aparelhos que alguns chamam de celular, outros de smartphones e que dentre suas mil utilidades, também servem para fazer ligações. Diferente de outros sistemas operacionais que competem neste mercado, o Maemo é baseado no kernel do Linux e propõe uma “nova” abordagem neste mercado onde reina o iPhone com seu sistema caixa preta, “abrindo” o sistema aos usuários e desenvolvedores.

Cada uma das muitas aspas no parágrafo anterior tem um motivo muito específico de ser.

A denominação “computadores de bolso” pode parecer extravagante, mas na realidade vem esclarecer algo que pode não evidente para alguns usuários. Esses aparelhos que hoje vemos no mercado vendidos como celulares, são muito mais do que isto e guardam maior parentesco com essa máquina que você tem na sua escrivaninha do que com aquela que carregava no bolso na virada do milênio.

Não porque estes aparelhos concentram diversas funções além da básica a que se propõem que é realizar chamadas telefônicas, mas porque eles possuem um processador, espaço em disco e memória superiores aquilo que você tinha sobre a sua mesa nos anos 90, com um sistema operacional mais sofisticado do que aquele que você costumava usar, com um teclado e um mouse que servem para que você possa, em tese, usá-lo para realizar mais tarefas do que era possível com aqueles computadores e do que os vendedores dizem ser possível com o seu equipamento. O empecilho é que a maior parte dos vendedores destas máquinas não transfere plenamente a propriedade dos equipamentos aos usuários, restringindo o que eles podem fazer com seus computadores.

Por conta disto, o uso do kernel do Linux e a proposta de um sistema operacional onde o consumidor possui completa liberdade de uso de seu equipamento é uma mudança de paradigma, uma “nova” abordagem. Estas aspas, por sua vez, justificam-se pelo fato de que esta abordagem não é exatamente nova, está por aí há pelo menos 25 anos ou, em termos mercadológicos mais restritos, vem desde o Open Moko.

O sentido de “abrir” pode não parecer tão imediato para o usuário acostumado com softwares fechados ou travados. Apesar de parecer que o seu iPhone é um sistema aberto, no qual você escolhe quais aplicativos quer instalar, que podem até mesmo ser fornecidos por terceiros à Apple, a realidade é que quem faz o controle prévio destes software é a maçã (que recentemente impediu que a Google oferecesse um software para o iPhone) e não são todas as ações de administrador que lhe são permitidas, a não ser que você realize o chamado jailbreak. Em sistemas verdadeiramente abertos o controle do sistema é do usuário, que só está limitado por seu interesse e habilidade. Isto não quer dizer que você precise ser um programador para aproveitar os benefícios de um sistema aberto, já que é possível o benefício indireto dos feitos trabalhados por usuários mais experientes com uma simples “googlada”.

O que mais empolga na notícia é que, diferente do que acontece com o Open Moko, o N900 tem o suporte de uma companhia de grande porte já bem estabelecida no mercado de portáteis. Fosse apenas grande, nada haveria de novo, já que a própria Google baseou seu sistema no Linux, mas no mercado de portáteis a Nokia tem uma penetração que nem se compara com a da iniciante Google. We are growing bigger and bigger…

[tor]

Qui, 17 Abr 2008, 107 Andre Deixe um comentário

Uma das maiores preocupações de qualquer pessoa navegando pela internet é (ou pelo menos deveria ser) a privacidade de seus atos. Porém não são todos os navegadores que estão cientes de que a internet não é um ambiente tão privado quanto à primeira vista parece ser.

Diferente das nossas ações offline, quando estamos em frente a um computador dentro de nossos quartos, os olhos dos demais parecem não nos alcançar e, portanto, é como se tivéssemos a possibilidade de realizar uma infinidade de atos sem qualquer controle ou vigilância que nos demais momentos é constante no convívio social.

Entretanto, a verdade está muito distante desta impressão inicial. A circulação de dados através da internet dá-se através de pacotes de dados, os quais são compostos por dois conjuntos de informações, os dados que estão sendo transmitidos propriamente ditos e os headers ou cabeçalhos, que contém as informações a respeito da fonte, destino, tamanho e tempo de transmissão dos dados. Estes pacotes podem ser interceptados e observados por qualquer um que se interponha entre o emissor e o receptor de uma comunicação. Normalmente o servidor está entre os pólos da comunicação, mas outros usuários também podem interceptar a comunicação de dados.

A criptografia, se e quando usada, ajuda a esconder o conteúdo dos dados transmitidos, tornando mais difícil acessar o dado em si. Entretanto, mesmo quando a criptografia é utilizada, ainda sobram os headers com informações que são suficientes para romper com a privacidades dos usuários da net.

Visando garantir a privacidade da nossa comunicação, o Tor – The Onion Router - é um software livre muito eficiente, em constante desenvolvimento, que busca, através de uma rede extensa de usuários, tornar anônimas as comunicações feitas a partir de um computador. Ao fazê-lo, Tor evita que quem está observado as suas comunicações consiga perceber a sua localização, quais tipos de sites vocês visita, quais tipos de downloads está fazendo, por quanto tempo permanece conectado à rede, com quais pessoas está se comunicando através de mensageiros (MSN, Skype, Jabber, IRC, ICQ, GTalk, etc).

Ah sim, o Tor pode ser usado em no GNU/Linux, mas também tem versões para o Windows e o Mac OS/X.

Categoriassoftware, tecnologia

[blueray singing]

Seg, 31 Mar 2008, 90 Andre Deixe um comentário

Duas notícias que estão hoje no site da BBC valem a pena uma atenção.

blueray

Em primeiro lugar, a empresa Slysoft anunciou ter conseuido burlar o mecanismo de privação da liberdade de cópia do BlueRay que a Sony arbitrariamente impôs aos consumidores. Note-se que esta mesma Sony tinha prevista que levaria pelo menos 10 (dez) anos para que o mecanismo inserido no BlueRay fosse contornado, entretanto alguns meses após seu lançamento e o abuso já foi contornado. Mas a disputa ainda está só começando. Semelhante ao que a Apple fez com seus consumidores quando do desbloqueio do iPhone, a Sony prometeu tornar os conteúdos ripados inúteis após o lançamento de uma atualização no mecanismo de bloqueio do BlueRay. É a mesma velha briga de gato e rato, a diferença é que cada vez mais torna-se visível quem é o gato e quem é o rato (ver notícia).

ohm

A segunda notícia, relata a proeza de um grupo de historiadores que trabalha com áudio que recentemente descobriu o áudio de voz humana mais antigo já gravado. Trata-se da voz de uma francesa que, por dez segundos, canta uma música folclórica. Anteriormente, pensava-se que o primeiro áudio gravado na história era o da voz de Thomas Edison cantando Mary had a little lamb (ver notícia).
Categoriasnotícias, tecnologia

[ogg]

Qui, 20 Mar 2008, 79 Andre 2 comentários

Play Ogg

Pois bem, talvez você não esteja muito preocupado com as suas, melhor dizendo, as nossas liberdades em conhecer os softwares que estão dentro de nossas casas e intimamente ligados à nossa vida quotidiana. Pelo menos não o suficiente para se incomodar em mudar de sistema operacional. Mas pode ser que você tenha a curiosidade de tomar alguns pequenos passos.

Se está lendo este post, você com certeza faz downloads de músicas, vídeos, imagens, livros e o que mais aparecer pela frente. Por isso mesmo, você muito provavelmente acompanhou de perto a ascensão e queda do Napster e sabia melhor do que ninguém que quando ele caiu e a mídia tradicional fez um rebuliço, o Napster já não era mais o todo poderoso, em seu lugar já havia surgido o Morpheus, que logo teve que abrir espaço pro Kazaa e nessa corrida chegaram Satellite, Soulseek, eMule e muitos outros.

Mas o Napster e seus irmãos só concentraram tantas energias graças ao santo mp3. Nós, no terceiro mundo, melhor do que ninguém sabemos que seria inviável baixar músicas pela internet se não fosse esse sacrossanto formato de compressão.

É importante atentar, contudo, que o mp3 é um formato proprietário de software. Pior. Sobre o seu algoritmo de compressão foi concedida uma patente (na verdade várias ao redor do mundo inteiro). Isso significa que qualquemenina.jpgr pessoa que queira fazer uso deste formato tanto para comprimir dados quando para decodificá-os e criar um tocador que faça uso da tecnologia é obrigado a adquirir uma licença com o titular dos direitos de patente. Note-se que no mercado de tecnológico é necessário existir um padrão a fim de compatibilizar a interação a que se propõe a própria internet e quem detém este padrão pode impor quaisquer condições a quem quer desenvolver ou inovar com base nele (saiba mais sobre os prejuízos causados por patentes em software). O Windows é o sistema padrão e o mp3 é o formato de audio padrão. Porém, existe o GNU/Linux e existe o Ogg e existe a chance de liberdade para a comunidade.

O Ogg é um formato de compressão livre da Xiph, licenciado pela BSD License. Em primeiro lugar é necessário explicar que Ogg na verdade é um formato container, tal qual o AVI, por exemplo, no qual podem ser agrupados diversos outros formatos, tanto de áudio quanto de vídeo. Portanto, não é correta a comparação com o mp3, já que este é apenas compressor de áudio e não é container para nada. Mas da mesma forma a comparação GNU/Linux / Windows também não é adequada, já que o GNU/Linux é mais do que apenas um sistema operacional.

O Ogg tem uma qualidade de compressão profissional, superior à do mp3, fazendo com que os conteúdos tornem-se mais agrupados sem perda da qualidade final. Porém, novamente, o importante é atentar para o fato de que existe um formato livre, que permite que qualquer interessado desenvolva-o e que nos permite saber exatamente como e o que o software faz e esta é a razão deste post.

Como usá-lo?

A Free Software Foundation (FSF) fez um guia prático para os usuários de Windows e Mac para saber como instalar o VLC e o codec para conseguir rodar Ogg. Os usuários GNU não precisam preocupar-se com isto já que os tocadores dele já vêm com as bibliotecas necessárias para executar o formato. Se você se importa com a questão da liberdade, mas ainda não tem confiança, tempo ou energia para um grande passo como o GNU/Linux, o Ogg pode ser um ótimo começo.

Play Ogg

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