O Debian é uma distribuição GNU/Linux conhecida por sua robustez e estabilidade. Esta confiabilidade da distribuição, contudo, tem um custo: tempo. Ao contrário do que ocorre em outros sistemas, um software somente entra para o Debian depois de ser longamente testado e corrigido.
Esse tempo de atualização quase não é sentido em relação à maior parte dos softwares que usamos, os quais nem sabemos que já se encontram desatualizados e raramente percebemos as diferenças quando são atualizados. Alguns, porém, são um caso a parte. São aqueles aplicativos de uso quotidiano que esperamos ansiosamente pelas atualizações, cheias de novas funcionalidades. É o caso, por exemplo, do Firefox, do OpenOffice ou do KDE.
Estes softwares contam com enormes comunidades que já trabalham segundo um processo contínuo de desenvolvimento que leva meses, às vezes anos, entre uma versão e outra. Quando são lançadas novas versões estáveis, esperar que entrem na versão estável do Debian parece simplesmente impensável. Considerando o ciclo normal de lançamento de novas versões estáveis do Debian, isto pode chegar a demorar um ano e meio
É possível evitar a letargia, burlando o ciclo normal do Debian de algumas maneiras:
1. Para os usuários da versão estável (atualmente “etch“, logo mais “lenny“), um modo fácil de fazê-lo é usando os repositórios do debian-backports. Este projeto tem por fim específico trazer nova vida à versão estável e, às vezes, desatualizada do Debian. Isto é feito recompilando os pacotes da versão teste ou instável do Debian, de modo que eles possam rodar na versão estável sem depender das bibliotecas novas daquelas versões.
Usar os repositórios do backports e instalar seus softwares é muito simples, basta:
- adicionar a seguinte linha no seu arquivo /etc/apt/sources.list:
deb http://www.backports.org/debian etch-backports main
atualizar a lista de pacotes do apt, para que os backports sejam incluídos:
# apt-get update
- instalar o pacote desejado com o comando:
# apt-get -t etch-backports install <pacote>
2. Outra maneira de conseguir o mesmo objetivo é construir um sistema misto. Isto é feito colocando repositórios de diferentes versões do Debian (estável, teste ou instável) no seu /etc/apt/sources.list, de forma que o apt terá diferentes versões de cada software disponíveis para instalação. Para realizar esta mescla, contudo, não basta apenas incluir os repositórios, do contrário sempre que for executado apt-get upgrade ou apt-get install a versão do software a ser instalada será a mais recente, ou seja, um upgrade de todo o sistema para a versão mais recente (teste ou instável). O arquivo /etc/apt/preferences pode alterar o modo padrão de funcionamento do apt.
Assim, assumindo que a distribuição base seja a estável e que serão usados, eventualmente, alguns pacotes da teste ou da instável pode-se proceder da seguinte forma:
- adicione as seguintes linhas no arquivo /etc/apt/sources.list:
deb http://ftp.br.debian.org/debian/ testing main
deb http://ftp.br.debian.org/debian/ unstable main
deb http://ftp.br.debian.org/debian/ experimental main
- adicione as seguintes linhas no arquivo /etc/apt/preferences:
Package: *
Pin: release a=stable
Pin-Priority: 900
Package: *
Pin: release a=testing
Pin-Priority: 500
Package: *
Pin: release a=unstable
Pin-Priority: 100
- atualize a lista de pacotes do apt, para que os novos pacotes sejam incluídos:
# apt-get update
- instale os pacotes específicos da versão teste, instável ou experimental usando o seguinte comando:
# apt-get -t <versão> install <pacote>
Voilá.
Vale lembrar que os pacotes mais recentes não estão incluídos na versão estável justamente porque não foram devidamente testados com ela, logo, use-os por sua própria conta e risco. De minha parte, posso garantir que venho fazendo isso sem notar qualquer mal funcionamento no sistema.
Para saber mais:
# man apt-get
# man apt_preferences