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Archive for the ‘metalinguagem’ Category

[the meaning of life]

Seg, 12 Mai 2008, 132 Andre Deixe um comentário

É irônico perceber que grande parte do fluxo redirecionado a este blog seja proveniente de pesquisas feitas em buscadores por termos que nada têm a ver com os assuntos aqui debatidos de forma mais extensa.

Em verdade os dois posts que até agora receberam o maior número de ocorrências em pesquisas feitas por palavras-chave foram seriedade e gta4. Dentre os dois, contudo, o da seriedade é o que mais freqüentemente aparece e incomoda.

E isto por duas razões que na realidade são faces diversas de uma mesma moeda. O post sobre o gta4 recebe redirecionamento de pessoas que procuraram informações sobre o jogo, que nada tem a ver com as questões usualmente debatidas neste blog, porém foi resultado de uma decisão consciente de atrair a atenção para o jogo, como forma de evitar um estreitamento desnecessário a alguns poucos assuntos-chave (e o conseqüente estreitamento do número de interessados, que nem de longe é o foco principal deste blog); ao passo que o post sobre a seriedade, que buscou uma postura levemente crítica do modo de ser do mundo corporativo, recebe grande fluxo de pesquisas pelos termos terno, grava e trajes de trabalho, trazendo grande fluxo de pessoas para o blog, mas que, ao perceberem que ele não trata do assunto esperado, rapidamente migram para outras ocorrências.

Assim, a grande ironia do post sobre a seriedade é que ele, não tratando de temas centrais a este blog, traz alto fluxo de leitores diariamente ao blog que, contudo, jamais se detêm na leitura dos demais posts. E esta continuada pesquisa pelos termos acima demonstra em dois tempos que é largamente difundida a postura criticada naquele post e, paralelamente, que é muito difícil abordar temas mais complexos, profundos ou marginais fora dos nichos em que eles são usualmente foco de debates.

Ao refletir sobre esta questão, lembrei-me de um trecho do filme “The Meaning of Life” (1983), do grupo britânico Monty Python. O filme, não é demais dizer, é uma obra genial, no melhor estilo de humor britânico, a arte do absurdo. Altamente recomendado para os fãs de um bom humor. O trecho, que segue abaixo, mostra alguns executivos reunidos para tratar do tópico “The Meaning Of Life” que supostamente teria sido objeto de estudos por um grupo de trabalho encabeçado por um dentre os executivos.

Quando este executivo toma a palavra ele faz um breve comentário sobre as pessoas não estarem usando chapéis e passa a uma reflexão cômica sobre as correlações entre matéria, energia e espiritualidade que dão origem à vida, numa fala evidentemente pitoresca, concluindo que as pessoas tem uma grande capacidade de se distraírem de problemas espirituais e existenciais por questões triviais do quotidiano.

Após a fala, silêncio e caras de conteúdo, quando surge um comentário:

What was that about hats again?

[metabloguístico]

Qui, 6 Mar 2008, 65 Andre 3 comentários

O primeiro post tem algo de místico, assim como o primeiro beijo, a primeira transa, a primeira viagem sem os pais. Fiquei matutando um bom tempo no que poderia escrever para inaugurar o meu blog já de sola na porta, mas tudo sempre parecia trivial demais, senso comum demais. Então lembrei-me de uma de minhas aulas de literatura na escola em que um professor chamou-nos a atenção para o fato de que os épicos clássicos têm a característica comum de começarem com a história pelo seu meio, voltar para o começo e então concluí-la.

Claro que não há nada mais trivial do que pegar uma idéia antiga caída em desuso e reutilizá-la como se fosse a coisa mais descolada que há. Não obstante, esta é a maneira que parece-me mais adequada para trazer à tona este blog, ou seja, começarei como se ele já fosse e quem sabe no futuro eu retorno para explicar como ele chegou a sê-lo.

Provavelmente quando eu o fizer, fá-lo-ei de maneira distorcida, inventando alguns dados, omitindo outros, mas isso seria inevitável já que é muito natural que com o tempo a memória torne-se corrompida, distorcida e em seu lugar surja a imaginação para dar liga e estrutura àquilo que já não é. Nem por isso, contudo, o que eu contar será, então, menos ou mais verdadeiro do que aquilo que diria agora.

Enfim, ao mar, navegadores!