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Archive for the ‘eventos’ Category

[do conflito de gerações]

Seg, 29 Jun 2009, 179 Andre Deixe um comentário

ou do embate entre ídolos na psiquê de um geek

Minha intenção era conseguir postar neste blog comentários sobre cada um dos palestrantes do FISL 10, coisa que os amiguinhos do twitter fazem com a facilidade que a superficialidade da ferramenta permite. Além disso, devo pontuar que fui forçado à difícil escolha entre transmitir uma perspectiva objetiva, nos limites do factível, ou perder-me no emaranhado caótico da subjetividade. Embora a credibilidade normalmente seja associada à primeira, fato é que será possível (se já não o é) assistir à íntegra dessas palestras em diversos sites de streamming e inúmeros blogs conterão resenhas mais neutras das palestras, de forma que minha escolha, conforme indica o subtítulo, fica com a segunda. Ainda, uma vez que tal posicionamento guarda maior coerência com o que será discutido adiante, o que é uma opção pareceu-me um dever.

A despeito da morte de Michael Jackson (que descobri por telefone) e da chegada do Luís Inácio ao evento, o foco de minhas atenções no último dia foi disputado por apenas duas pessoas: Richard Stallman e Peter Sunde. Ambos dispensam apresentações para qualquer nerd politizado e são provavelmente os titãs do evento. O primeiro, idealizador das quatro liberdades que caracterizam o software livre, figura quase mítica tanto no aspecto físico quanto no discurso, é a referência mais básica de qualquer um que queira começar a pensar de forma crítica o desenvolvimento e compartilhamento do saber (mais do que apenas softwares) na rede. O segundo, um pouco mais polêmico e do gosto da mídia atual, deve sua fama a algumas ações ousadas, muitos diriam rudes, outros bem humoradas, na rede.

Sabendo que a boa fama de um está atrelada ao discurso ético, mais do que ao software – área em que acabou um pouco ofuscado por Linus Torvalds, não obstante a importância do GDB e do EMACS – e que a do outro vincula-se a uma certa petulância nas palavras e atos, vale conferir as respostas às notificações extrajudiciais encaminhadas ao PirateBay – cujo próprio nome já indica a ousadia do grupo -, a expectativa era de uma palestra ideologicamente coesa, marcante pela profundidade, pelo primeiro e meramente divertida pelo segundo. Seria um disparate dizer que ocorreu o exato oposto, já que Stallman, de fato possui uma base histórica e uma coerência discursiva louváveis e embora não seja desprovido de humor, peca pela seriedade. Não sendo uma exata inversão, pode-se dizer que a surpresa veio justamente pela coerência discursiva onde não era esperada e pela falta de visão daquele que é conhecido por ser um visionário.

Peter Sunde não se apresenta de forma ordenada, nem se dá ao trabalho de expor de maneira coerente um discurso ideológico. Sua palestra não é focada no “esclarecimento” do público, nem na cooptação de aliados a uma causa. Com um otimismo difícil de se manter frente aos resultados do “spectrial”, Sunde simplesmente parte do pressuposto de que a causa está decidida e que nós vencemos, falta apenas o decurso do tempo para que a sociedade perceba isso de forma ampla. Nem mesmo a notícia de que o julgamento da suspeição do juiz de primeiro grau no spectrial resultou improcedente, justamente porque o juiz da suspeição era ele também membro de uma organização de defesa dos direitos dos carteis da mídia de massa, pareceu abalar o ânimo do sueco.

Em um lento desenrolar de fatos, slides, pensamentos e piadas, de repente surge a linha mestra de todas as ações: kopimi. Diferente de Stallman e Lessig, Sunde é um extremista. A melhor forma de licença para ele é a não licença, a melhor forma de direito autoral é o não-direito autoral. As cópias e a manipulação do conhecimento devem ser permitidas sem quaisquer restrições, para qualquer fim, pelo simples fato de que a apropriação do conhecimento é uma idéia absurda. Radical como poucos, ele simplesmente não reconhece quaisquer privilégios ou monopólios sobre o saber, ponto. O discurso, apesar de pouco estruturado e ordenado, é absolutamente coerente com as suas práticas.

A crítica talvez seja no sentido de que aqueles que não o conhecem perderiam a dimensão daquilo que ele está falando, o que, aliás, não é sem consciência, já que assume não ser a pessoa mais indicada para prestar “esclarecimentos ao público leigo”, sendo somente capaz de dialogar com geeks que entendem do que ele está falando. Durante a coletiva de imprensa – na qual me infiltrei e pude até fazer três perguntitas -, todavia, ficou claro que alguns jornalistas o enxergam, e transmitirão isso ao público, como um delinqüente virtual que não respeita os direitos de terceiros na rede.

Richard Stallman, por outro lado, vem com a experiência dos mais de 25 anos na defesa das liberdades da comunidade, das infinitas palestras pelo mundo que já há anos se tornaram livro. Não obstante, deixou-me uma má impressão pelo conservadorismo e limitação de suas idéias. Diferente de Sunde, Stallman defende alguma forma de copyright e acredita no discurso das trocas e incentivos (um pouco de nossa liberdade, por um pouco da criatividade alheia), acha apenas que no atual momento há uma desproporção muito grande entre aquilo que cedemos e o que estamos recebendo. Para ele, estamos negociando liberdades que jamais poderiam ser cedidas na proporção em que vem ocorrendo. Em seu discurso, os direitos autorais cumpriam uma função com Guttenberg, a qual deve ser repensada com Turing e Bernstein.

Ao final da palestra, tentei ampliar a crítica e pensar a ausência de uma função legítima a um monopólio sobre o saber, qualquer que fosse a época ou tecnologia. Aventei, em forma de pergunta, a possibilidade de que os direitos autorais tenham sido um mero instrumento de controle de mercado, uma forma de garantir poder aos empresários que já possuíam escala, poder para impedir o acesso a novos competidores e poder para ditar o que seria publicado, como seria, a que preço e a quem (segundo critérios territoriais ou socioeconomicos) seria lícito ler tais e quais obras. A idéia, veja, não é sequer minha (se é que pode pertencer a alguém), mas de Peter Drahos. Todavia, ao ser indagado Stallman fugiu à discussão da idéia e limitou-se a um ataque pessoal. Disse que a hipótese era absurda e que eu estava apenas sendo tendencioso (biased) e pensando com ódio (hatred) por tais empresas, presumindo que tudo o que fazem é interessado e prejudicial.

Aí veio a decepção. Não pelo ataque, mas pelo que me pareceu falta de preparo. Parciais, passionais e interessados todos somos. De modo algum refuto as pechas que me foram atribuídas. Um ser humano jamais pode se livrar de sua subjetividade, dos efeitos que suas emoções e experiências sentimentais têm sobre suas conclusões racionais. Crer-se imparcial, sereno e desinteressado é apenas ignorar-se, não se conhecer e, conseqüentemente, ser incapaz de entender o outro. Em especial o ódio não deve ser ignorado. Freud fala que possuímos todos duas pulsões fundamentais, eros e tânathos, vida e morte, construção e destruição. Mais do que isto, nenhum de nós ou de nossos atos provém exclusivamente de uma destas pulsões, mas de um amálgama das duas em diferentes proporções. Crer-se muito Madre Tereza ou esperar, aos 56 anos, que os outros assim o sejam demonstra apenas despreparo.

Tentei formular uma hipótese sobre o porquê da rejeição primária de minha idéia, sem qualquer tentativa de discussão. Três generalizações babacas me ocorreram. 1. Pode ter havido o que chamam de conflito de gerações, justificando-se a disparidade pelo conservadorismo que vem com a idade em confronto com a impulsividade que caracteriza a juventude. 2. Pode ter havido um conflito de culturas, sendo muito difícil para um estadunidense uma crítica tão radical de sua própria cultura, uma crítica menos focada no utilitarismo. 3. Pode ter havido um conflito entre uma mente intrinsecamente voltada para as exatas, com as divagações sempre incertas de uma mente das humanas.

A primeira babaquice logo refutei com Foucault, ídolo dos ídolos, que, aliás, teve um embate interessantíssimo com um estadunidense que ficou confuso com suas idéias, o que reforça um pouco a segunda hipótese, a qual também se reforça com Nietzsche. Faltam-me exemplos para a terceira e me reservo o direito de não concluir por nenhuma das babaquices.

[fisl 10]

Sáb, 25 Abr 2009, 114 Andre 2 comentários

O tempo de fato voa! Estão abertas as inscrições para o 10º Fórum Internacional do Software Livre a se realizar na cidade de Porto Alegre no Rio Grande do Sul. O evento ocorrerá entre os dias 24 e 27 do mês de junho e tem duas presenças imperdíveis no rol de palestrantes: Richard Stallman – vulgo o homem que “inventou” o conceito de software livre e do quarto de sua casa deu início ao que hoje se tornou o GNU/Linux; e Peter Sunde – co-fundador do Pirate Bay, vulgo o homem que mesmo condenado à prisão ainda aparece em público e diz que o site vai continuar no ar independentemente do resultado do julgamento.

O ideal é se inscrever o quanto antes, porque o preço da inscrição vai subir nos próximos dias.

[download day]

Sáb, 14 Jun 2008, 165 Andre Deixe um comentário

Download Day 2008

Complementando o post da semana passada sobre o Download Day promovido pelo spreadfirefox.com, os responsáveis pela campanha finalmente anunciaram a data oficial do lançamento da 3ª versão do navegador Mozilla Firefox que será em 17.06.2008 (terça-feira próxima). Anunciem aos quatro ventos!!!

[firefox no guinness]

Seg, 2 Jun 2008, 153 Andre 3 comentários

A comunidade responsável pelo desenvolvimento do navegador de internet livre Mozilla Firefox está em seus últimos passos para lançar a versão estável 3.0 do seu software. A versão vem com algumas novidades muito interessantes que prometem algum abalo na forma de navegação dos internautas de todo o mundo e, como forma de promover o uso do software, foi criada a campanha do Download Day, cuja proposta é de bater o recorde mundial de downloads de um software no dia de seu lançamento e entrar para o Guinness Book.

Queremos estabelecer um Recorde Mundial no Guinness para o software mais baixado em 24 horas. Com o auxilio da nossa comunidade e a sua ajuda temos certeza de que conseguiremos.

A data do lançamento ainda não foi fixada, mas assim que houver uma decisão ela será incluída no site oficial da campanha pela adoção do software livre e certamente aqui neste blog também. Para aqueles que têm um mínimo espírito geek escondido em algum cantinho da alma, esta é uma ótima oportunidade pra entrar na onda e baixar o software na data a ser marcada.

Obviamente, o recorde não é o único motivo pelo qual está sendo veiculada esta campanha. O Firefox é, sem sombra de dúvida, uma das pérolas do open source, o projeto que, sem dúvida, tem o maior potencial de atrair a atenção do mundo alheio à questão do software livre. Isto porque, qualquer pessoa sem conhecimento algum de informática consegue facilmente fazer o download, instalação e começar a usar o aplicativo em seu sistema sem qualquer ajuda ou receio.

Mais ainda, o Firefox conta com uma ampla base de desenvolvedores, tanto para o software base quanto para os add-ons, plugins, themes e etc, que já vêm trabalhando há muitos anos, o que tornou o projeto a ponta da faca em termos de navegação. Assim, não apenas livre (o que só tem apelo para alguns), o Firefox é o que há de melhor e mais avançado em navegação de internet atualmente, o que traz, ao leigo, uma boa chance de rever de imediato alguns preconceitos que podem surgir quando tomam contato pela primeira vez com a idéia de um desenvolvimento livre e cooperativo.

Não se pode ignorar o poder dos preconceitos e o apego das pessoas a eles. Um fator que pouco é mencionado nas discussões sobre o software livre e a sua escala de uso, mas que talvez seja o seu principal entrave, é o preconceito. As pessoas, mesmo aquelas que não têm o inglês como idioma primário, a palavra livre com grátis e esta, por sua vez, com produtos de baixa qualidade. “Nada que é grátis pode ser bom. Se fosse bom, seria caro.” Esta frase estará sempre na mente de quem não conhece todo o mundo de desenvolvimento cooperativo e contra ela os argumentos nem sempre são a melhor solução, uma vez que quem se agarra a este tipo de argumentação tosca muito provavelmente não tem o hábito de reflexão crítica. A melhor saída é mostrar, mostrar os frutos “ruins” do desenvolvimento cooperativo.

Outro fator importante é que as pessoas que não têm conhecimentos em informática utilizam critérios estúpidos para comparar softwares, mas que para elas sempre vão fazer um imenso sentido, não obstante o que o papa pensa disso. Por esta razão é que o OpenOffice, por exemplo, fica prejudicado quando as pessoas ouvem dizer que seu formato padrão é o .odf. “Odf, o que raios é o odf? Cadê o .doc, o .pps e o .xml?” Então, ao descobrirem que é possível usar esses formatos no OpenOffice: “Ah, então ele apenas é uma imitação grátis do MSOffice, coisa de pobre.” A mesma coisa com o GNU/Linux. “Cadê o MSN?” Bem, existem alguns compatíveis que você pode usar pra falar com todos os seus amigos do MSN, mas o MSN mesmo não tem, afinal é da Micro$oft. “Ah, que porcaria de sistema.” Bom, se você faz tanta questão, você pode instalar o Wine, e com ele instalar o MSN do Windows mesmo. “Hm, ah prefiro usar o Windows, é mais fácil.

Aqui se encontra a grande importância do Firefox. Ele está isento desse tipo de comparação absurda (excetuando talvez pela possibilidade remota de encontrar alguns sites por aí desenvolvidos especialmente para o IE, que talvez tenham alguma falha no layout quando acessados com o Firefox). Neste sentido é que ele é a pérola do open source. O potencial de angariar novos adeptos aos software livre através deste primeiro contato com o Firefox não é de se desprezar. É claro que sempre existirão aqueles que dirão: “E daí que o Firefox é mais leve, mais rápido, mais seguro, mais estável, foi o primeiro inserir abas, tem o maior número de add-ons, tem uma barra de endereço que recupera os sites que você navegou apenas com palavras-chave? Com o IE eu consigo fazer o que quero.” Mas quanto a estes, será uma honra deixá-los com a Micro$oft.

[o florescer das cores]

Qui, 8 Mai 2008, 128 Andre Deixe um comentário

fuji

Em comemoração ao I Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, a Pinacoteca do Estado inaugura uma exposição sobre artes tradicionais japonesas no período Edo (1603-1867). Organizada pela Agência Cultural do Japão, com o apoio do Consulado Geral do Japão em São Paulo e da Fundação Japão, a mostra apresenta cerca de 160 peças inéditas no Brasil, provenientes de acervos de mais de 15 museus japoneses, compreendendo diferentes tipos de quimonos (incluindo quimonos criados para o teatro), adornos femininos, cerâmicas, artefatos em laca e indumentárias de samurais (incluindo espadas e armaduras).

Para quem ainda não sabe, a Pinacoteca do Estado de São Paulo está, desde o dia 17 de abril, com uma exposição sobre o Japão Feudal em cartaz. A exposição intitulada de O Florescer das Cores: A Arte do Período Edo, permanecerá em cartaz até o dia 22 de junho. Para os apreciadores da cultura japonesa, a exposição é um prato cheio e, detalhe, quem for à exposição até a metade deste mês e retornar no mês de junho vai poder apreciar duas exposições diferentes, uma vez que todas as peças serão substituídas para melhor preservação dos itens.

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