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[maemo oder mais do mesmo]

Meu sonho de consumo ainda é o Open Moko, mas é impossível que um freetard como eu não se maravilhe com a chegada do Nokia N900 com o sistema Maemo.

O Maemo é um sistema operacional para “computadores de bolso“, esses aparelhos que alguns chamam de celular, outros de smartphones e que dentre suas mil utilidades, também servem para fazer ligações. Diferente de outros sistemas operacionais que competem neste mercado, o Maemo é baseado no kernel do Linux e propõe uma “nova” abordagem neste mercado onde reina o iPhone com seu sistema caixa preta, “abrindo” o sistema aos usuários e desenvolvedores.

Cada uma das muitas aspas no parágrafo anterior tem um motivo muito específico de ser.

A denominação “computadores de bolso” pode parecer extravagante, mas na realidade vem esclarecer algo que pode não evidente para alguns usuários. Esses aparelhos que hoje vemos no mercado vendidos como celulares, são muito mais do que isto e guardam maior parentesco com essa máquina que você tem na sua escrivaninha do que com aquela que carregava no bolso na virada do milênio.

Não porque estes aparelhos concentram diversas funções além da básica a que se propõem que é realizar chamadas telefônicas, mas porque eles possuem um processador, espaço em disco e memória superiores aquilo que você tinha sobre a sua mesa nos anos 90, com um sistema operacional mais sofisticado do que aquele que você costumava usar, com um teclado e um mouse que servem para que você possa, em tese, usá-lo para realizar mais tarefas do que era possível com aqueles computadores e do que os vendedores dizem ser possível com o seu equipamento. O empecilho é que a maior parte dos vendedores destas máquinas não transfere plenamente a propriedade dos equipamentos aos usuários, restringindo o que eles podem fazer com seus computadores.

Por conta disto, o uso do kernel do Linux e a proposta de um sistema operacional onde o consumidor possui completa liberdade de uso de seu equipamento é uma mudança de paradigma, uma “nova” abordagem. Estas aspas, por sua vez, justificam-se pelo fato de que esta abordagem não é exatamente nova, está por aí há pelo menos 25 anos ou, em termos mercadológicos mais restritos, vem desde o Open Moko.

O sentido de “abrir” pode não parecer tão imediato para o usuário acostumado com softwares fechados ou travados. Apesar de parecer que o seu iPhone é um sistema aberto, no qual você escolhe quais aplicativos quer instalar, que podem até mesmo ser fornecidos por terceiros à Apple, a realidade é que quem faz o controle prévio destes software é a maçã (que recentemente impediu que a Google oferecesse um software para o iPhone) e não são todas as ações de administrador que lhe são permitidas, a não ser que você realize o chamado jailbreak. Em sistemas verdadeiramente abertos o controle do sistema é do usuário, que só está limitado por seu interesse e habilidade. Isto não quer dizer que você precise ser um programador para aproveitar os benefícios de um sistema aberto, já que é possível o benefício indireto dos feitos trabalhados por usuários mais experientes com uma simples “googlada”.

O que mais empolga na notícia é que, diferente do que acontece com o Open Moko, o N900 tem o suporte de uma companhia de grande porte já bem estabelecida no mercado de portáteis. Fosse apenas grande, nada haveria de novo, já que a própria Google baseou seu sistema no Linux, mas no mercado de portáteis a Nokia tem uma penetração que nem se compara com a da iniciante Google. We are growing bigger and bigger…

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