gnu

A partir do começo do ano de 2006, iniciei um trabalho de pesquisa a respeito dos direitos autorais aplicados ao ambiente da internet. Através deste trabalho foi que vim a conhecer o GNU (http://www.gnu.org). Antes disso eu já tivera um contato muito breve com algumas distribuições, mas sem saber com o que estava lidando.

Apesar de já contar com mais de vinte anos, o GNU (no original pronuncia-se da mesma forma que a palavra new) só agora tem ganhado alguma visibilidade para além dos nichos de geeks e hackers, e, não sei se por conta das minhas pesquisas, parece-me que sua fama vem crescendo de forma epidêmica. Contudo, como ainda é pouco conhecido e pouco debatido em nosso país, acho que vale uma introdução, vez que pretendo discutir temas relacionados a ele.

O GNU foi um projeto idealizado por Richard Stallman (http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Stallman) entre os anos de 1983-84 (uma época certamente marcante na história de nossa civilização) e vem desde então progredindo firme e continuamente. A premissa maior do projeto era garantir que continuasse a existir um sistema operacional livre. Ambos os verbos estão corretos. Sistemas livres sempre foram a regra, desde os primórdios dos computadores modernos, nos meados da década de 1950, e até pouco antes da década de oitenta. Nos últimos anos de 1970, entretanto, o mundo (ou pelo menos a parte dele que se interessava por computadores à época) assistiu a uma mudança de rumos quando algumas companhias passaram a vender softwares sem disponibilizar o chamado código-fonte (texto inteligível por um ser humano). Este foi o início de grandes multinacionais como a Microsoft e a Apple, mas foi também a gênese do software livre enquanto conceito.

Mas o que é um software livre?

Assim, é importante acentuar-se que o foco do GNU é garantir as liberdades fundamentais de conhecimento sobre o software, outras questões sempre foram incidentais ou secundárias. É claro que não se pode ignorar que grande parte da fama de que hoje o GNU goza, que é essencial para a sua evolução e disseminação, vem do fato de que ele foi capaz, por “n” motivos, de se tornar um sistema de qualidade técnica imbatível, mas jamais podemos deixar de enfatizar o problema essencial do respeito às liberdades da comunidade.

E o Linux?

O Linux não é um sistema operacional, o Linux é apenas um kernel. Kernel é a parte mais fundamental de um sistema operacional, é o conjunto de comandos que faz a interface direta com a parte física do computador, o hardware. Ele é composto apenas de rotinas e comandos de interface básicos e é onde se apóiam todos os demais aplicativos do sistema.

O Linux não foi desenvolvido por Richard Stallman, nem por participantes do projeto GNU. O inventor do Linux é um programador chamado Linus Torvalds (http://en.wikipedia.org/wiki/Linus_Torvalds) que desenvolveu a primeira versão do kernel em 1991 como um projeto de mestrado. Todavia, ele decidiu compartilhar o código-fonte de seu software através da internet e, como à época o GNU já estava muito bem estruturado mas ainda não possuía um kernel, algumas pessoas decidiram combinar ambos. Desta junção é que surgiu o GNU/Linux.

Importante salientar que, ao passo que o Linux não é um sistema operacional, o GNU/Linux é mais do que um sistema operacional. Atualmente o GNU conta com mais de 18.000.000 pacotes, pelo menos, dentre os quais se incluem aqueles básicos necessários a um sistema operacional, mas também muitos outros dedicados às mais diversas atividades.

Para quem quiser saber mais, disponibilizo aqui a minha tese:

Copyright e Copyleft: o Software e o Conhecimento.

Copyright e Copyleft versão [.doc]

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