Qual o papel da universidade pública? Qual o papel da polícia armada? Precisamos desconstruir alguns mitos.

Mito 1: Universidade é lugar de estudar.

Universidade não é, nem deve jamais ser, uma continuação da escola. Aliás, sequer a escola deveria ser escola. A ideia de um ensino superior universitário não é a de PASSAR conhecimento aos alunos. Os alunos NÃO estão lá para serem ENSINADOS, para serem programados com o software que os torna máquinas eficientes para tarefas de alta complexidade. A universidade não é um curso técnico profissionalizante destinado a suprir demandas de mercado por profissionais de alto nível.

E tudo isso por um motivo muito simples: a universidade não se destina a REPRODUZIR saberes já consolidados, mas a PENSAR DE FORMA CRÍTICA os problemas sociais e apresentar-lhes novas soluções. Uma universidade que se limita a programar alunos e reproduzir conhecimento é uma universidade conformada com o estado das coisas e destinada a mantê-lo.

Por essa razão muito singela, quem protesta para que os alunos se limitem a estudar, protesta para que eles sejam instrumentos de reprodução do que já existe. Protesta para que eles adquiram conhecimentos técnicos que possibilitarão tão-somente que eles dominem um capital intelectual que os permita, no futuro, extrair os maiores salários em um mercado de trabalho desigual. Protesta para que eles interessem-se somente por si mesmos, protesta para que eles fortaleçam apenas a si mesmos, protesta para que tudo continue como está.

A tese é ainda mais explícita quando o ensino universitário é financiado por esforços públicos, extraídos da população por meio de uma ficção denominada impostos, para que um percentual irrisório dos jovens possa frequentar a universidade sem custos. Se é a sociedade quem sustenta o espaço público e recursos da universidade, o imperativo lógico é de que as atividades desenvolvidas naquele espaço tenham como objetivo primordial a solução dos problemas dessa mesma sociedade que a financia, não os daqueles que são financiados para frequentá-la. Estes são, no máximo, servidores do interesse público que podem ser, a qualquer tempo, cobrados pelo uso que fazem do financiamento que lhes foi concedido. Do contrário, a universidade pública seria, como infelizmente o é, apenas um espaço de privilégios e privilegiados.

Assim, quando um grupo de alunos sai em protesto contra a ingerência de uma reitoria que busca a privatização do ensino público, a sociedade deve ter muito claro que aqueles que protestam para que os alunos fiquem quietos e limitem-se a estudar, protestam, na verdade, para que esses alunos usem o seu financiamento para perseguir interesses pessoais e para que mantenham tudo como está. Protestam para que eles continuem a ter privilégios e não ousem tornarem-se serviçais do interesse público. Alguns fazem-no sem perceber. Outros fazem de má-fé. Cabe a cada um discernir entre um caso e outro.

Mito 2: A polícia serve para nos proteger.

Quem manda na polícia não é a população, quem manda na polícia é o Estado e o Estado, tal como deus, é um mito. Alguém já viu o Estado por aí? Eu não. O Estado é uma ficção criada por homens para racionalizar o exercício de um poder. Mas esse Estado nada mais é do que um discurso que nos diz que certas pessoas são governantes e certas pessoas são governados. Que certas pessoas mandam e certas pessoas obedecem. Que certas pessoas podem usar da violência e isto é “justiça” e que outras não podem e isso é “crime”.

Todo ser humano nasce pelado em meio a sangue, fezes e urina, em um mundo repleto de outros homens que lá já estavam antes de que este novo chegasse. Tudo o que ambos possuem de inalienável são seus próprios corpos, que, ao longo de suas vidas, ninguém lhes pode tirar, nem eles mesmos. Este corpo é frágil e tem diversas necessidades para desenvolver-se até chegar ao seu destino final, que é a desagregação ou morte. Acontece que os humanos tem uma habilidade muito específica que é a linguagem e por meio desta conseguem fazer uso concertado de seus corpos na perseguição de seus interesses.

Mas que ninguém se iluda: esse acordo de atuação conjunta nunca se dá de uma forma que respeite os melhores interesses de cada um. Aquele humano que acaba de nascer em meio de fezes precisa que alguém ajude-o a conseguir o que precisa, pois sozinho não é, nem nunca será ao longo de toda a sua existência, capaz de fazê-lo. Essa pessoa que o acolhe pode ser um mendigo, alguém que pode contar com a ação conjunta de quase ninguém. Não pode contar com favores de quase ninguém. Ou pode ser um governador, alguém que pode, com uma palavra, fazer com que milhões de pessoas atuem conjuntamente. Em outras palavras, ele nasce em um mundo que possui uma história, uma história que, aliás, não é nada bonita. Uma história de massacres, pilhagens, guerras, fomes, estupros, torturas, genocídios e escravidão.

No ponto em que estamos desta história, muitos humanos acreditam que devem obediência a outros, supostamente porque estes outros são “autoridades”: pessoas que são chamadas de “governadores”, “juízes”, “policiais”, “reitores” e etc. Mas o único traço que distingue estas pessoas das demais é que elas, por acasos históricos, vieram a adquirir a atenção de muitas pessoas que atuam de maneira conforme.

No caso daquela a que chamam de governador, ela pode simplesmente decidir quem vai ser o reitor e pode também dizer o que devem fazer os policiais. Os policiais, portanto, não servem para NOS proteger, eles servem para atuar conforme deseja o governador. Se o governador desejar que eles ataquem, eles atacam. Se desejar que fiquem parados, eles ficam parados.

No recente caso da USP, o reitor e o governador, bem como seus aliados, não desejavam que a universidade trabalhasse para solucionar problemas da sociedade, mas que se limitasse a reforçar o estado das coisas e, por isso, ficaram incomodados com aqueles alunos “insubordinados” – livres-pensadores – que discordavam e questionavam seu papel ali no campus. Por conta disto, ambos, com a anuência de outros tantos, decidiram chamar os policiais para fazerem valer seus interesses na universidade. Decidiram colocar policiais militares para perseguir pessoas  – alunos e não-alunos – de comportamentos inadequados aos olhos dos que governam.

Mas a questão da polícia não se limita à situação atual do campus. A polícia é a ficção que permite a imposição violenta de interesses contra aqueles que tentam buscar interesses divergentes daqueles que podem influir na estrutura de poder, na função da linguagem, em nossa sociedade. A polícia serve para impor vontades. A polícia serve para limitar o diálogo. A polícia serve para reprimir aqueles que não se conformam. O crime não existe, é apenas o rótulo que quem controla a polícia dá àquelas condutas que de alguma forma se contrapõem à ordem inigualitária já estabelecida. A polícia é uma forma de dizer que alguns interesses não podem ser discutidos, uma maneira de desautorizar pela força os interesses de alguns.

No campus a polícia tem o agravante de perseguir pessoas que se coloquem de forma concertada contra a ordem estabelecida. Mas o problema da polícia é maior. O problema da polícia é a violência que a ela é inerente, em qualquer lugar que atue, tanto mais em um estado escravagista e ditatorial como o nosso. Temos tentado, nos últimos vinte anos, construir uma democracia por aqui. Mas democracia não é algo que se constrói com uma canetada de legislador, não é algo que se limita a uma forma de decisão por maioria (como o demonstra o estado nazista que nunca deixou de ter uma constituição formalmente democrática). Democracia é algo que passa pela desconstrução de identidades autoritárias e submissas. E isto não é fácil.

Enquanto imperar a lógica da violência como resposta aos conflitos de interesse na sociedade, não pode haver democracia. Enquanto as pessoas acharem que violência é uma forma legítima de resolver uma situação de impasse, não pode haver democracia. Democracia só pode haver quando cada pessoa tiver ciência de que não deve obediência a ninguém, nem a si mesmo. Porque nós aprendemos, durante séculos, a exigir sangue e a aplaudir a exploração e a tortura. Nós não temos uma individualidade inata, mas formada em um meio social que aplaude violência e devemos, acima de tudo, desconfiar de nós mesmos. Somente quando as pessoas estiverem dispostas a ouvir, a pensar, a se questionar, a questionar o que ouvem e a aceitar que o outro pode ter interesses que não são iguais aos nossos – e que nem por isso seus interesses são menos legítimos -, poderemos começar a pensar em soluções diferentes para este velho problema.

E isso dentro e fora da universidade.

Uma premissa não elaborada na obra de Foucault nos permite pensar nos limites da diferença tolerável. Foucault cuida em sua obra da arbitrariedade e historicidade da valoração social de diferenças que, em si, são ontologicamente neutras. A distinção entre os sexos por exemplo. Tudo o que informa a diferença é que há uma dessemelhança entre os corpos das pessoas que portam como traço distintivo central uma genitália específica. A mera constatação da diferença, contudo, não implica a diferente valoração social que é dada ao tratamento dos sexos. Tal valoração social é casual e objeto de uma constante disputa de acréscimo no meio social. Conseguimos hoje vislumbrar, no próprio exemplo do sexo, que pode haver mudanças na valoração social dos sexos, dado que nas últimas décadas as percepção social das mulheres progrediu muito, ainda que haja muito a caminhar pela frente. O trabalho ético fundamental, neste sentido, é fazer com que cada diferença tenda à indistinção de modo que a diferença ontológica volte ao patamar de indistinção valorativa – como a diferença entre pessoas de cabelo castanho e castanho escuro o é. As ações afirmativas, neste sentido, seriam apenas um primeiro passo na extensão de direitos a pessoas que são historicamente vítimas de perseguição social. O ponto de chegada seria tornar suas diferenças socialmente irrelevantes ao ponto de não as percebermos. Não se falaria mais em gays, lésbicas, travestis, negros, judeus, ciganos, mas apenas em humanos em igual dignidade, sem qualquer distinção social por conta de seus caracteres distintivos.

Existe porém uma diferença ontológica que seja tão grande que impossibilite uma neutralidade valorativa? São os campos do ontológico e do axiológico assim tão apartados? Ou talvez exista um campo em que a diferença ontológica implique necessariamente a distinção valorativa?

X-Men é uma brilhante abordagem narrativa deste tema. Passada a Segunda Guerra Mudial, com todos os seus medos, descobriu-se uma chance de retorno da tão marchante inflação valorativa da distinção entre as raças ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX. Chegou-se a afirmar categoricamente que a diferença racial era intransponível. Não foi, contudo, o que a história mostrou. Foi possível de alguma forma voltar ao convívio e em grande escala acalmar os ânimos. O que aconteceria, contudo, se ao invés de uma simples distinção de raça, surgisse uma distinção tão grande entre humanos que caracterizaria uma nova espécie? E se o traço distintivo desta espécie fosse justamente a maximização coletiva de todas as potencialidades humanas? Teria como haver integração social entre diferentes espécies sem que houvesse dominação completa – como nós fazemos com os cachorros? E pior, sendo esta espécie fruto da nossa própria espécie, nós teríamos alguma chance plausível de pensar que poderíamos impedi-los? Nós não teríamos como impedi-los de nascer, já que nascem de nós. Quando têm seus poderes, por outro lado, nós não podemos controlá-los. Qual a nossa chance em uma disputa como essa? A nossa única saída seria tentar sobreviver aceitando a sua dominação. Por que assim que o último de nós morresse, sobraria apenas a espécie deles. Para salvar a nossa espécie, nós seríamos forçados à escravidão.

O que nos faz pensar nos animais e na relação que temos com eles. Nós não os reconhecemos como sujeitos de direito, mas apenas como coisas, simples objetos, semoventes, nada distintos de cadeiras. Coisas. Exatamente o que eram os escravos. Não tinham direito de palavra ou desejo porque eram coisas, destinadas a satisfazer o desejo de seus mestres. Como os cães que nós tratamos como mercadorias. Vendemos, compramos e desprezamos absolutamente o direito deles de viverem como querem, por onde querem, com quem quiserem, o simples ir e vir. Não. Coisas, sem direito algum. Tal como nós provavelmente seríamos na hipótese trabalhada por X-Men.

Claro que X-Men, sendo um quadrinho feito para vender, nunca chegou, nem chegará a contar o inevitável nesta história. A jogatina política entre Eric e Charles tem que continuar para sempre nos quadrinhos, senão o quadrinho acaba e o final certamente não é feliz para nós.

Por outro lado, é feita alguma abordagem do que aconteceria antes da dominação completa.

Quando estas pessoas descobrissem que não estão sozinhas, logo começariam a procurar umas pelas outras para garantir seu autorespeito. Quereriam se sentir parte de alguma coisa e não apenas “freaks” que se escondem em casa e têm vergonha do que são. Havendo essa agremiação espontânea, logo surgiriam líderes destas comunidades. Estes líderes, provavelmente teriam visões diferentes de acordo com sua maior ou menor propensão a se sentir parte daquilo que é o humano, sentir-se membros dignos e respeitados de uma comunidade humana. Haveriam certamente aqueles que se sentiram sempre despojados de toda esta dignidade de ser humano, sofrendo todos as mazelas sociais que são características da nossa sociedade. Os primeiros tentariam uma política de paz e colaboração. A distinção genética que distingue estas duas espécies seria tida como irrelevante, as pessoas aprenderiam a aceitar e se orgulhar destas pessoas como a de qualquer outro membro da comunidade. Os últimos diriam que estão cansados de ser perseguidos, caçados e torturados pelos outros e que agora que tem a chance de tomar o problema nas mãos, não vão ficar esperando que as coisas aconteçam. Vão entrar em ação e fazer valer seus direitos. Agora, sem titubear.

Começa então uma revolução, porque os imediatistas não vão conter seus poderes, muitos dos quais extremamente úteis em combate e política (como o magnetismo e a telepatia) e declararão guerra à humanidade. Dir-se-ão espécie mais evoluída (Übermenschen) e começarão a guerra. Para contê-los, os mutantes teriam a única opção de entrar em guerra também, só que aliados aos humanos. Usariam então seus poderes para a guerra e estariam matando seus próprios irmãos de espécie para se manterem valorativamente indiferentes em meio aos humanos. Os humanos, contudo, em uma situação como essa de guerra, imediatamente criariam uma fobia absoluta de mutantes, um medo de serem atacados por quaisquer deles. Isto reforçaria a perseguição social dos mutantes nascidos na comunidade humana, que seriam cada vez mais marginalizados e cada vez mais suscetíveis ao discurso dos imediatistas que estão o tempo todo a dizer: “você não precisa sofrer, se vier conosco viverá um vida de rei e serão eles os seus servos”.

A questão que nunca será elaborada é então: será que uma diferença deste porte teria como ser reduzida à indiferença valorativa? Dados os fatores acima, é possível acreditar neste caso que Xavier possa convencer os humanos de que os mutantes, embora sejam definitivamente uma espécie diferente, não vão ser uma presença ruim dentro da sociedade humana e que ambas as espécies podem conviver sem perceber suas diferenças? Tal como o louro e o castanho?

Não sei quanto a vocês, mas eu acho pouco crível. Os humanos saberiam que as pessoas desta espécie teriam vantagens competitivas imensas em uma sociedade capitalista como a nossa. Quem dentre os humanos poderia competir com cérebros como o de Hank McCoy? Quem poderia ser vencedor em uma disputa política com Xavier? Quem poderia superar magneto no conhecimento dos metais? Os humanos tenderiam a ocupar cargos cada vez mais baixos e mal remunerados, até o momento em que recebessem apenas os piores salários e chegasse então o dia em que seus mestres descobrissem que não precisam lhes pagar salários, podem simplesmente comercializá-los, como escravos. Os humanos perceberiam isso de imediato e não haveria como convencer autoridades humanas a aceitar essa nova espécie. Seus loci de poder estariam completamente ameaçados. Por conta disto, toda a aliança com as autoridades humanas teria sempre o receio de que ao final da guerra contra seus próprios irmãos, com suas forças desgastadas, os mutantes remanescentes seriam exterminados pelos humanos. Tudo o que se poderia apostar, assim, é na benevolência dos humanos. A história, contudo, não tem muito a dizer em favor de sua benevolência.

Nós humanos somos conhecidos pelas mais sangrentas e cruéis perseguições de que se tem testemunho no reino animal. Não se percebe em outras espécies tamanha agressividade interna à espécie. Há brigas, há duelos, há lideres em grupos de diversos vertebrados, mas não há guerra sistemática entre grupos deles. Disputam aqui e ali por um espaço e acesso ao alimento. Fora isso, vivem em praticamente total ignorância dos demais. Nos, contudo, tendemos a nos caçar, nos exterminar, nos matar, nos devorar e nos torturar quase como se fôssemos parasitas de nós mesmos. É possível que um mutante com a habilidade linguística e capacidade política de Xavier ignore a realidade história de tudo isto e se lance na expectativa ingênua de que “dessa vez vai ser diferente”?

Eu duvido. Xavier, idealista e bem formado na cultura dos direitos, tentaria a princípio evitar nomear a distinção. Tentaria mantê-la abafada, objeto de uma curiosidade simplesmente acadêmica, mas que jamais deveria transitar para o campo do valor social. Quando surgissem os primeiros ataques ou fenômenos chamativos, contudo, a mídia daria notoriedade ao tema e isso rapidamente se transformaria em palco de xenofobia e política. Subiriam discursos favoráveis e desfavoráveis a esta nova distinção e Xavier seria forçado a sair de sua posição de tentativa de ignorar a questão valorativa posta pela diferença ontológica. Sua única opção política sensata é defender sua própria espécie, já que é um deles e não quer ele mesmo maltratar sua espécie. Logo, sairia em defesa dos direitos dos “x-men” de não serem objeto de discriminação na sociedade. Repudiaria nomenclaturas descriminatórias como “mutantes”. Buscaria por leis que garantissem neutralidade quando à diferença de espécie. Logo, porém, esta diferença começaria a ser percebida e mal tratada pela população que é extremamente suscetível ao medo daquilo que é diferente. As pessoas passariam a se desviar, falar mal e descaracterizar a humanidade dos mutantes e a dizer que eles não podem conviver. O discurso pacifista de Xavier seria abafado por intensas reportagens de atos de violência dos mutantes, para incitar ainda mais o ódio da população.

Os mutantes seriam então tratados como marginais e suas vozes seriam sempre abafadas pelo discurso oficial. Em alguns lugares se ouviria falar de convivência pacífica com mutantes, mas grande parte da população seria extremamente hostil. Com estes níveis de hostilidade, casualmente começariam a aparecer nos noticiários casos de disputa violenta entre grupos de extrema direita humana e mutantes pelas cidades e, dada a imensidão dos poderes e a precocidade com que são desenvolvidos – ainda na adolescência -, logo as ruas estariam tomadas pelo caos.

Neste momento, Xavier, já sem voz nenhuma perante os humanos seria obrigado a reunir os mutantes para se protegerem. Precisariam de um lugar em que ficassem isolados da presença dos humanos, para que não despertassem o ódio. Sua escolha então seria: a. dominar a mente dos líderes humanos e controlar os meios de comunicação em massa de modo a direcionar a opinião pública favoravelmente aos mutantes e tentar a todo custo reter os ânimos de guerra na população – tudo isso tendo ainda que confrontar o ataque certo dos grupos separatistas mutantes de Magneto e muitos outros que certamente surgiriam para reivindicar seus direitos à força; ou b. não controlá-los em respeito às suas dignidades individuais e de espécie – já que esse controle mental só se distingue da escravidão proposta por magneto no fato de que não deriva de força física, mas de habilidade política – e acreditar piamente que os seres humanos serão capazes de aceitá-los como parte de sua população.

Se a escolha é ética, como teima-se a dizer que é, Xavier não pode escolher a primeira opção, já que a escravidão humana é seu pressuposto. É como torturar para defender direitos humanos, simplesmente perde o sentido. Nos resta então a segunda opção. Não me parece, todavia, que estejamos diante de grandes perspectivas. Os humanos têm mostrado incessantemente sua capacidade para a perseguição. As distinções de orientação sexual são o grande exemplo do que se faz na comunidade humana com pessoas com diferenças subjetivas íntimas. A questão das síndromes – que são mutações genéticas – demontra o que fazemos com pessoas com diferenças visíveis e sem talentos especiais. Quem dirá do que se faz com pessoas que possuem uma genética que os torna visualmente distintos e marcadamente mais talentosos?

Xavier faz o papel de Foucault e acredita que vale a pena tentar resistir à tentação das cargas valorativas e buscar uma indiferença axiológica. Magneto, por outro lado, acha que Xavier não conhece o mundo: ele não esteve entre as vítimas do nazismo e não teve a vida tragicamente marcada por uma perseguição. E isso Magneto não pode tolerar, nem hipoteticamente. Não pode imaginar que será objeto de perseguições novamente e sua raiva o leva a perseguir para garantir que não será perseguido. Magneto é também um líder nato e não precisa de Xavier para guiá-lo na política. Consegue reunir seus próprios colaboradores e reúne um grupo particular de mutantes. Xavier então é forçado a sair de seus devaneios e unir-se ao combate de guerra para defender suas visões pacifistas. Em meio à guerra, porém, Xavier há de perceber que seus sonhos de indiferença parecem cada vez mais distantes.

Quando foi o caso da guerra entre raças, nós conseguimos reverter a situação de calamidade, mas o que seria em uma guerra entre espécies? Qual a chance que Xavier tem de reverter o resultado da guerra se não pode matar, nem controlar seus inimigos mutantes, já que seu objetivo é defendê-los, nem pode influenciar os humanos, porque seu objetivo é preservar-lhes a autonomia?

A meu ver, como disse, pouca. A menos que algo na história nos mostre que temos aprendido a tolerar nossas diferenças e que podemos conviver pacificamente enquanto espécie integrada às demais espécies, se surgir uma distinção ontológica muito grande entre agrupamentos de humanos, a resultante necessária vai ser uma valoração social extremamente inigualitária desta distinção, o que só poderia levar à guerra entre os grupos.

Brilhante ver tudo isso abordado em X-Men, considerando que esta é uma série destinada ao público infanto-juvenil lançada ainda nas brasas da segunda guerra. O tema é provocativo e certamente foi mal abordado ao longo da série dos quadrinhos. Ou talvez a cegueira ideológica me tenha atingido em cheio ao longo dos anos de adolescência em que eu os lia, pois me lembro apenas de uma caracterização muito dogmática dos Xmen como heróis e dos aliados de Magneto como vilões, sem maiores discussões das implicações políticas nos discursos de cada um dos líderes. Qualquer que seja o caso, o tema foi brilhantemente abordado no novo filme dos Xmen e dessa vez não houve venda ideológica que pudesse me impedir de enxergar o que estava ali posto. Só é uma pena saber que o filme está fadado a deixar sem abordagem as respostas para estas perguntas. Tudo que há depois em X-Men é apenas a manutenção eterna de um estágio inicial do conflito armado entre humanos e mutantes, estado este que, em um cenário real, seria rapidamente ultrapassado para a guerra e caos no mundo, algo que também jamais chega a aparecer nos quadrinhos e provavelmente nem irá.

De um jeito ou de outro foi curioso perceber como há uma gradação entre as histórias dos X-Men e as demais histórias de heróis contemporâneas. Histórias no modelo clássico do super-homem impõe pouca reflexão, porque se trata apenas de um ser especial sem relações a nível de população com os humanos. As pessoas podem temê-lo ou reverenciá-lo, mas a questão nunca se torna politicamente relevante, já que é apenas um. Quando, porém, o atributo especial passa a ser compartilhado por várias pessoas, necessariamente surge a questão da segregação e vem pesada a questão da possibilidade de mútuo respeito e tolerância. Neste sentido, a questão posta em X-Men é ainda mais relevante do que aquela posta em Watchmen, que é tido como um quadrinho destinado ao público adulto, com uma abordagem muito explícita da questão: “quem vigia os vigilantes?”. Questão de marcada implicação política, porém de uma complexidade e relevância histórica menor quando comparada à questão da discriminação social e segregação dentro das sociedades humanas.

Um grande PS: Só agora entendi também a natureza dos poderes de Xavier. Os telepatas são seres com uma habilidade comunicativa tão grande que podem ser enquadrados como qualitativamente diferentes dos demais humanos. Seu domínio da comunicação é tão amplo que eles conseguem se comunicar com qualquer pessoa, fazerem-se entendidos e manipular os sentimentos dos demais. Embora Xavier seja retratado como um intelectual, como um professor, sua habilidade ímpar é a política e é o emocional. Diferente de Hank que possui um cérebro de cientista, de hacker, apto a desvendar quaisquer mistérios do mundo físico, porém socialmente imaturo e subjetivamente pouco controlado, sem percepção clara de si e de seus iguais, tímido e sem noção de política; Xavier é alguém sem capacidades intelectuais prodigiosas, mas com uma inteligência emocional sem comparação. Por isto Hank é sempre uma ferramenta, que Xavier e outros mutantes tentam controlar. Xavier, por sua vez, nunca pode ser apenas uma peça. Ele sempre será um elemento vital na conquista da política, já que nenhuma revolução pode acontecer sem ele. Em casos extremos ele manipula diversas pessoas simultaneamente para que o resultado de uma ação política seja aquele que ele espera. Por conta disto, o capacete do Magneto vira a mais importante arma na revolução dos mutantes. Se o maior telepata do mundo está contra ele, sua única chance de vitória é imunizar-se contra o poder de manipulação do Xavier e contar que a ética impedirá Xavier de manipular o jogo totalmente.

Ciência de boteco: “Se aceitarmos que o amor é a devoção absoluta ao ser amado, o telefone celular é seu teste de verdade.”

Até a invenção do celular, declarar o amor infinito era uma coisa relativamente fácil e sem grandes implicações. Podia-se dizer que se amava uma pessoa mais do que a si mesmo e que a pessoa amada poderia sempre contar com os favores do declarado amante, sem, com isto, assumir um fardo perene de disponibilidade e atenção.

Com a invenção do celular, contudo, a declaração de amor foi posta à prova. Se é verdade que o amante importa-se mais com o ser amado do que consigo próprio e se existe uma tecnologia que permite, a qualquer momento, um contato instantâneo, sua atenção ao celular na ausência da pessoa amada deve ser incessante, já que o amante nunca tem como saber quando a pessoa amada necessitará de seus favores.

A prontidão em atender às chamadas da pessoa amada ao celular pode então servir de medida do amor. Em um dos extremos da escala está a pessoa que nunca atende o celular, demora pra responder SMS’s e muitas vezes não retorna ligações perdidas. No outro, está a pessoa que anda com o celular no toque mais alto e com função de vibrar, que dorme com o celular ligado, que nunca deixa a bateria acabar, que atende ao telefone no primeiro toque e responde SMS’s quase instantaneamente.

Mais interessante porém é o que estes extremos comunicam.

O primeiro, evidentemente, comunica uma desatenção, um descuido, uma inconstância do amor ao ser amado e uma preocupação maior com sua própria vida e afazeres do que com aquele que diz amar acima de tudo. A devoção neste caso, se existe, é a si mesmo, não ao outro.

O segundo, por outro lado, comunica uma preocupação absoluta com o ser amado, mas comunica também uma hiperestima de si. Quem se faz absolutamente disponível a outra pessoa inevitavelmente assume ter uma importância igualmente absoluta na vida deste. Uma disponibilidade absoluta só se mantém sobre o apoio de uma convicção de que a pessoa amada pode sofrer imensamente com a indisponibilidade temporária do amante. Em outras palavras, a devoção absoluta ao outro implica uma valorização absoluta de si.

O extremos, assim como todas as variantes entre eles, comunicam-se num único e mesmo amor de si.

Segue um tutorial para criar um túnel SSH para acessar o seu roteador DD-WRT a partir de uma máquina Windows, usando o PuTTY. Com algumas modificações esse tutorial pode ser adaptado para outras combinações de sistemas cliente e servidor, a lógica para a abertura do túnel permanece a mesma em quaisquer sistemas.

O que é possível fazer usando um túnel SSH?

  • Acessar, criptografando toda a comunicação, quaisquer máquinas de sua rede interna a partir de qualquer ponto da internet;
  • Esquivar-se de bloqueios draconianos ao acesso à internet em redes nas quais você não é o administrador;
  • Garantir que todas as suas comunicações estão sendo criptografadas independentemente do protocolo utilizado, evitando coisas como isso.

Panorama:

Em poucas palavras, o procedimento a seguir estabelece uma comunicação entre duas máquinas, uma cliente e outra servidor, usando o protocolo SSH. Depois de estabelecer a conexão, com a autenticação da máquina cliente e do usuário, é possível fazer com que o seu navegador, mensageiro, cliente vnc e outros programas direcionem suas comunicações à porta do túnel, o que faz com que elas sejam automaticamente criptografadas e redirecionadas ao seu servidor, antes de prosseguirem para o destino final. Neste tutorial, o roteador fará o papel de servidor e a máquina Windows será a cliente.

Requisitos:

  1. Um roteador com a firmware DD-WRT ou congênere;
  2. Um cliente SSH (pré-instalado em máquinas Linux, para windows use o puTTy).

Configurando o roteador pela interface web:

  1. Vá ao endereço http://192.168.1.1;
  2. Clique na aba serviços e na sub-aba serviços;
  3. Na seção SecureShell, habilite o SSHd;
  4. O SSH TCP Portforwarding pode permanecer desabilitado;
  5. A porta pode continuar sendo a 22;
  6. Crie uma senha ou use o sistema de chaves de autenticação;
  7. Clique no botão Apply Settings;
  8. Vá à aba Administration e à sub-aba Management;
  9. Na seção Remote Access, habilite o SSH Management;
  10. Escolha a porta que pretende usar para acessar o seu roteador (as portas 80, 443, 8080 e 8888 são boas dicas já que são nelas que o acesso http geralmente ocorre. As portas abaixo de 1000 são de acesso restrito ao administrador);
  11. Clique no botão Apply Settings.

Configurando a máquina Windows:

  1. Baixe, instale e execute o PuTTy (Se além de estar confinado a uma rede fechada, você também não for o administrador de sua máquina Windows, instale o putty no seu pendrive em uma máquina em que seja o administrador e depois use-o naquela em que é usuário sem privilégios – link portableapps);
  2. Na categoria Session, informe o número IP ou o hostname do seu roteador;
  3. Informe o mesmo número de porta informado no item 10 acima;
  4. Configure o tipo de conexão para SSH;
  5. Vá para a seção Connection -> Data e configure o Auto-login username para root, assim você não precisará digitar o nome de usuário a cada nova conexão;
  6. Vá para a seção Connection -> SSH – > Tunnels e digite 8080 na Source Port;
  7. Clique no Dynamic;
  8. Clique no botão Add, para adicionar a porta acima.
  9. Se você está usando o método da chave de autenticação, vá para Connection -> SSH -> Auth e informe o local em que está a sua chave de acesso;
  10. Volte para Session e crie um nome para esse conjunto de configurações, informe-o no Saved Sessions e clique no botão Save;
  11. Agora basta clicar duas vezes no nome da sessão e acessar seu roteador informando a senha do usuário ou a passphrase para a sua chave de acesso. Será preciso abrir o PuTTY e iniciar uma nova sessão toda vez que quiser usar o túnel.

Como configurar os aplicativos para usarem o túnel?

Para fazer com que um aplicativo utilize o túnel, procurar a seção “Rede”, “Comunicação” ou Proxy, clicar no modo de configuração manual e, usando a opção SOCKSv5, informar a máquina “localhost” e a porta Source Port acima. No caso do firefox em especial, é preciso também alterar o valor da variável network.proxy.socks_remote_dns no endereço about:config, para obrigar as suas buscas de dns a saírem pelo túnel SSH.

Opcional. Como usar o método de autenticação por chaves?

Usando o PuTTYgen, siga os seguintes passos:

  1. Selecione SSH-2 RSA e informe um tamanho de chave (algo entre 1024 e 4096);
  2. Informe algum comentário que identifique a chave (root@ddwrt seria uma boa escolha);
  3. Informe uma frase de segurança para a sua chave (para evitar que alguém possa usá-la caso tenha acesso a ela);
  4. Salve o par de chaves;
  5. Copie o texto da chave pública para um arquivo texto comum;
  6. Na interface web do roteador (http://192.168.1.1), cole o texto da chave na aba Management, SSHD.
  7. Desabilite o acesso por senha;
  8. Informe ao PuTTY o local em que está armazenada a sua chave (cf. passo 9 acima).

Cliente GNU/Linux

Se você quiser acessar o servidor a partir de uma máquina GNU/Linux, basta abrir o shell e informar o seguinte comando:

ssh -p 8080 -N -C -L porta_local:ip_remoto:porta_remota root@ip_remoto

Fontes:

http://hetos.de/sshtut.html

http://www.dd-wrt.com/wiki/index.php/Easy_SSH_tunnels

Segue um tutorial de instalação da firmware DD-WRT em um roteador D-Link Dir-300 Rev. A (chipset Atheros AR2317). Embora eu já tivesse instalado essa firmware no Linksys WRT54G v. 8.2, eu sabia que o procedimento para a instalação no Dir-300 era absolutamente diverso e bem mais complicado, sendo de pouca valia a minha experiência anterior. Pior. O tutorial disponível no site do projeto, embora preciso, era um pouco cru e, vasculhando pela rede, não encontrava nada que fosse “baby steps” (absolutamente essencial quando se pensa na possibilidade de brickar o aparelho por algum descuido).

Resumo da ópera, fui obrigado a me guiar por quatro tutoriais diferentes (mais duas páginas man) para me sentir seguro de que compreendia bem os passos necessários. Ainda assim, tive alguns problemas para me comunicar com o aparelho, de modo que senti que seria útil escrever este tutorial, cujo objetivo é tornar tão claro quanto possível o procedimento de instalação da firmware usando um sistema Debian Squeeze (provavelmente válido também para o Ubuntu).

Aviso: Este tutorial serve apenas para o DIR-300 Rev. A. A D-Link lançou uma nova versão denominada DIR-300 Rev. B, com um chipset distinto. Também é possível instalar a firmware nestes novos aparelhos, porém as instruções são diferentes, não use este tutorial. Para descobrir a versão do seu equipamento, confira o adesivo que se encontra na parte inferior do aparelho.  Acrescento que este é um procedimento arriscado, vez que qualquer erro durante a sua execução (como uma simples queda de energia ou desligamento de cabo) pode “brickar” (quebrar) o seu aparelho. É possível recuperá-lo, mas o procedimento envolve manipulação do hardware e se você está seguindo este tutorial, provavelmente não possui experiência para tanto. Assim sendo, siga as instruções abaixo por sua conta e risco. Tudo o que eu posso garantir é que eu realizei o procedimento abaixo e tive sucesso na instalação, nada além disso.

O primeiro passo é baixar os arquivos necessários à instalação da firmware, incluindo ela própria, diretamente no site do projeto. Os arquivos necessários são:

ap61.ram

ap61.rom
linux.bin

Usaremos o telnet para nos comunicar com o roteador. Ele vem pré-instalado na maior parte das distribuições GNU/Linux. Para verificar se ele está instalado na sua máquina, informe:

#which telnet

Se estiver instalado o terminal informará uma linha com o nome completo do comando. Do contrário, será preciso instalá-lo, o que pode ser feito adicionando “telnet” ao final do comando abaixo.

Usaremos também um servidor TFTP:

#apt-get install atftpd

Para que ele funcione da maneira que necessitamos, é preciso que um diretório funcione como base para os arquivos que enviaremos. O padrão do atftpd é que o /tftpboot seja este diretório. O programa, contudo, não o cria automaticamente, de modo que deve-se fazê-lo manualmente:

#mkdir /tftpboot

Este diretório precisa ter amplas permissões de leitura, escrita e execução para todos, já que será acessado pelo roteador:

#chmod 777 /tftpboot

Certifique-se de colocar os arquivos que usaremos dentro deste diretório.

Conecte o cabo de rede à porta ethernet do seu computador e à porta WAN (ou Internet) do seu roteador.

Configure a interface ethernet do seu sistema para o IP estático 192.168.20.80, gateway 255.255.255.0. Se você estiver usando o network manager, isso pode ser feito no menu “Editar Conexões”. Do contrário, na linha de comando basta informar:

#ip a add 192.168.20.80/24 dev eth0

certifique-se também de que a interface eth0 é a que está em uso:

#ip link set dev eth0 up

(Note que os comandos acima não irão funcionar adequadamente se o network manager estiver gerenciando as conexões)

Aperte e segure o botão de reset do roteador com um lápis ou equivalente. Ligue-o enquanto segura o botão pressionado e continue a segurá-lo por 30 segundos, enquanto o roteador é inicializado.

Usando o telnet, conecte-se ao endereço 192.168.20.81 porta 9000 do roteador:

# telnet 192.168.20.81 9000

Esse passo deve ser executado rapidamente porque o Redboot fica acessível por pouco tempo após a inicialização, se for necessário, repita o passo acima até que o prompt apresente a seguinte tela:

RedBoot>

Informe então:

RedBoot> load ap61.ram

Using default protocol (TFTP)
Entry point: 0×800410bc, address range: 0×80041000-0×800680d8

RedBoot> go

Sua conexão com o roteador irá cair e o terminal parecerá congelado. Finalize o telnet pressionando ^] (Ctrl + ]), mas NÃO desligue o roteador.

Altere o endereço de IP fixo da sua interface ethernet para 192.168.1.2, gateway 255.255.255.0. No network manager, basta seguir as instruções acima. Na linha de comando:

#ip a add 192.168.1.2/24 dev eth0 label eth0:0

Usando o telnet, conecte-se novamente ao roteador, agora ao endereço 192.168.1.1 porta 9000:

#telnet 192.168.1.1 9000

Pode acontecer de o roteador recusar a sua conexão (aconteceu comigo). Nesse caso, desconecte o cabo de rede da porta WAN (Internet) e coloque na porta de rede (LAN) número 1.

O roteador deverá então apresentar um prompt do DDWRT. Por enquanto ainda não realizamos nenhuma alteração permanente no seu roteador. Se ele for reinicializado nesse momento tudo volta ao normal e o procedimento deve ser reiniciado.

O passo a seguir é crítico. Em hipótese alguma desligue o roteador enquanto ele é executado, pois isto poderá quebrá-lo. Se algo der errado, e você perder a comunicação com o seu roteador em meio ao processo, existe um modo de salvá-lo (link). O que faremos agora é tornar permanente a alteração do inicializador (bootloader):

DD-WRT> fconfig -i
Initialize non-volatile configuration – continue (y/n)? y
Run script at boot: false
Use BOOTP for network configuration: true
Default server IP address:
Console baud rate: 9600
GDB connection port: 9000
Force console for special debug messages: false
Network debug at boot time: false
Update RedBoot non-volatile configuration – continue (y/n)? y
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> fis init
About to initialize [format] FLASH image system – continue (y/n)? y
*** Initialize FLASH Image System
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×807f0000-0×80800000 at 0xbffe0000: .

DD-WRT> ip_address -h 192.168.1.2
Default server: 192.168.1.23

DD-WRT> load -r -b %{FREEMEMLO} ap61.rom
Using default protocol (TFTP)
Raw file loaded 0×80080000-0×800a8717, assumed entry at 0×80080000

DD-WRT> fis create -l 0×30000 -e 0xbfc00000 RedBoot
An image named ‘RedBoot’ exists – continue (y/n)? y
… Erase from 0xbfc00000-0xbfc30000: …
… Program from 0×80080000-0×800a8718 at 0xbfc00000: …
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×807f0000-0×80800000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> reset

O roteador será reinicializado, tornando permanentes as alterações. Pode acontecer de alguns endereços de memória finais do seu equipamento serem levemente diferentes dos apresentados acima. Isso provavelmente se deve a diferenças de tamanho entre as versões do arquivo bin e não deve preocupá-lo.

Depois que a reinicialização terminar, use novamente o telnet para se conectar ao roteador:

#telnet 192.168.1.1 9000

Novamente, se você tiver problemas de conexão, tente mudar o cabo de rede da porta WAN para a porta LAN.

Outro passo crítico. Não desligue o aparelho em meio à execução dos comandos abaixo.

DD-WRT> ip_address -h 192.168.1.2
IP: 192.168.1.1/255.255.255.0, Gateway: 0.0.0.0
Default server: 192.168.1.2
DD-WRT> fis init
About to initialize [format] FLASH image system – continue (y/n)? y
*** Initialize FLASH Image System
… Erase from 0xbfc30000-0xbffe0000: …………………………………………………..
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> load -r -b 0×80041000 linux.bin
Using default protocol (TFTP)
Raw file loaded 0×80041000-0×803cffff, assumed entry at 0×80041000
DD-WRT> fis create linux
… Erase from 0xbfc30000-0xbffbf000: …………………………………………………
… Program from 0×80041000-0×803d0000 at 0xbfc30000: …………………………………………………
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> fconfig boot_script true
boot_script: Setting to true
Update RedBoot non-volatile configuration – continue (y/n)? y
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> fconfig boot_script_timeout 4
boot_script_timeout: Setting to 4
Update RedBoot non-volatile configuration – continue (y/n)? y
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> fconfig bootp false
bootp: Setting to false
Update RedBoot non-volatile configuration – continue (y/n)? y
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> fconfig
Run script at boot: true
Boot script:
.. fis load -l vmlinux.bin.l7
.. exec
Enter script, terminate with empty line
>> fis load -l linux
>> exec
>>
Boot script timeout (1000ms resolution): 4
Use BOOTP for network configuration: false
Default server IP address:
Console baud rate: 9600
GDB connection port: 9000
Force console for special debug messages: false
Network debug at boot time: false
Update RedBoot non-volatile configuration – continue (y/n)? y
… Erase from 0xbffe0000-0xbfff0000: .
… Program from 0×80ff0000-0×81000000 at 0xbffe0000: .
DD-WRT> fconfig bootp_my_ip 192.168.1.1
DD-WRT> fconfig bootp_my_ip_mask 255.255.255.0
DD-WRT> fconfig bootp_my_gateway_ip 0.0.0.0
DD-WRT> reset

O roteador será novamente reinicializado e voilá, está pronto o seu novo roteador with lasers.

O endereço padrão para o acesso à interface gráfica por meio do seu navegador é 192.168.1.1. O usuário é admin e a senha root.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.